Liderança indígena Truká sofre tentativa de assassinato

Liderança indígena Truká sofre tentativa de assassinato

Na manhã do dia 16/04, a liderança indígena Ailson dos Santos Truká, conhecido como Yssô Truká sofreu uma tentativa de assassinato no Estado de Pernambuco.

O cacique é aluno da Licenciatura Intercultural Indígena da UFPE, na cidade de Caruaru. Yssô Truká estava junto de outros indígenas quando foram atacados no fim da madrugada na frente de uma casa mantida por estudantes indígenas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e foi atingido por três tiros e segue internado no Hospital Regional de Caruaru.

A Terra Indígena Truká foi recentemente demarcada e o processo de homologação ainda não ocorreu. Há um grande interesse de latifundiários da região na exploração agrícola da Terra Indígena, pois possui terras férteis e está localizada em um arquipélago no Rio São Francisco, com grande disponibilidade de água.

História de violência e luta

O povo Truká habita a Ilha de Assunção e outras 66 ilhas no Rio São Franscisco, no município de Cabrobó/PE, desde o século XVII e sua história está marcada por situações de violência e tentativa de expulsão de suas terras por parte do governo e de latifundiários da região. A maior ofensiva contra seu povo foi na entre os anos de 1960 e 1980, durante o regime militar. Onde várias lideranças e indígenas torturados, sequestrados e brutalmente assassinados pelos militares.

No ano de 1999, os indígenas intensificam a retomada de suas terras e conseguem grandes conquistas, mas também há uma intensa repressão por parte do latifúndio apoiado pelas polícias federal e militar. Após as retomadas e avanço do processo de demarcação, dois membros da etnia, Adenilson Vieira (38) e seu filho Jorge Vieira (17), são assassinados por policiais militares e outra vítima, Mozeni Araújo, é alvejado na mesma investida, mas sobrevive. Anos depois Mozeni Araújo, presidente da Associação Truká, foi brutalmente assassinado.

Após décadas de lutas e retomadas, em 1993 a Terra Indígena Truká foi declarada pelo ministro da Justiça como de posse permanente indígena (Portaria n. 315, de 17/08/93) e em 2002 a terra foi delimitada com 5.769 ha, abrangendo a totalidade da Ilha de Assunção. Mas apesar de demarcada e delimitada, o processo demarcatório ainda não foi concluído e os conflitos continuam.

Tentativa de assassinato de Yssô Truká não é por acaso

Nos últimos anos há um avanço do latifúndio no campo com inúmeras tentativas de aprovação da PEC 215, com paralisações de demarcação e de desapropriações de terra e um aumento exponencial da violência. Dados publicados pela Sesai (Secretaria Especial da Saúde Indígena) de 2014, 138 indígenas foram assassinados em 2014, sendo que no ano anterior 97 casos foram registrados.

Também em 2014, mais do que duplicaram também os registros relativos a invasões possessórias, exploração ilegal de recursos naturais e danos diversos ao patrimônio indígena. Enquanto em 2013 foram feitas 36 ocorrências, em 2014 foram registrados 84 casos. E os dados referentes a 2015 devem ser ainda maiores.

FONTE: http://causaoperaria.org.br/lideranca-indigena-truka-sofre-tentativa-de-assassinato/

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